Uma banheira imensa
Caberá nós dois, nossos gatos, possivelmente um filho e dois patinhos de borracha.
Vamos ter uma cristaleira,
Cadeira mole, falsa, é claro.
Quadros, cálices, estátuas... Tudo banhado a ouro.
Vamos ter um carrinho para fazer viagens.
Vamos aprender a dirigir.
Eu quero ter assoalho e quero que você pragueje contra seu ruído.
Vamos ter dois pés de pimenta-dedo-de-moça,
Ancorados em cada janela.
Vamos ter pé de jabuticaba, daqueles baixinhos...
Cheios de cobras falsas para afugentar os tucanos e sua gula.
Mármore Calacata, deselegantemente revestindo o banheiro inteiro.
Um quarto cheio de janelas,
Uma varanda e cama barulhenta
Para causar inveja nos vizinhos.
Quero uma cerca baixinha, uma mesa de bétula longa e pesada,
Um jardim de inverno, com poço de luz.
Ah, o jardim de inverno!
Iluminando a Nossa Senhora, toda adornada,
Uma almofadinha de veludo logo abaixo, para que possamos agradecer o milagre todos os dias.
Tag: Poesia
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Admiração
A admiração se repousa rotineiramente sob minhas roupas.
Sempre, sob minhas roupas.
Tal que meu corpo, ainda virgem de seu toque
Se transborda de esperança.
Esperança que isto ainda há de mudar.
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Réus Primários
Contaminando os quatro ventos
Sagrados
E limpos
Adentrando os continentes
Seus entes
Queridos
Fazer-se o fim do seu direito
O seu sustento
O seu quinhão
Teu ganha pão.
Se enraizando nos cenários
Ternários
Aflitos
Enchendo os seus óleos
Os olhos
Caídos
Invadindo o teu porco
O teu roço
O teu feijão
Teu ganha pão.
Roncando nos seus céus
Sem réus
Primários
Entrando em teu seio
Teu leite
Erário
Estragando sua gente
A sua mente
A tua visão
Teu ganha pão.
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Café Solitário
Aos amargurados, um brinde.
Um brinde à derrota do sono
Ao nascer do sol
E aos pensamentos pensados nas horas escuras
Um brinde ao adormecer adiado
Um brinde ao poder maior
Um brinde ao café
Um brinde à água fervida
Aos sonhos selados que se manifestam em palavras.
Aos sonhos dormidos da padaria
Aos meus sonhos coados em poesia
E ao café solitário
Que amarga meu paladar.