O clarão, o som,
Dar-se conta de que respira o refrescar da manhã.
Manhã umedecida pela chuva da madrugada.
O frescor que se confunde ao mentol.
Enquanto as motos roncam e os carros buzinam,
Os ovos fritam.
E dou-me conta de toda a minha sorte.
Todo perdão e amor,
Todo esquecimento.
Não é incrível?
Ser tão ruim e maldoso
E ainda assim desfrutar das manhãs mais belas,
Dia a dia, impunemente.
Comendo ovos, bebendo café,
Como sempre aconteceu e há de acontecer.
Por ofício ou por esporte,
O sol segue a subir e a manhã a se findar.
Tag: Metáfora
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Culpa
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Artificialmente Saborizado
Romances.
Balas e doces que deixam sua língua azul.
Todos artificialmente saborizados.
Romances doces e transeuntes.
Todos de gosto mais ou menos iguais.
Por vez, nosso romance.
Romance que satisfaz e sacia.
Este deixa, também, suas marcas.
Manchas descoloridas pela nossa língua.
Doçuras que me deixam faminto.
E, confundindo a gula e a luxúria
Atiçam meu paladar, constroem meu apetite.
Tamanha salivação que não se satisfaz!
Nem ao cravar dos dentes.