Numa conversa de namorados
Sempre um fala mais que o outro
E o outro ouve mais do que um
Aí as coisas invertem.
O outro ouve mais que um
Enquanto um fala mais que outro
E sempre os dois ao ouvir e falar indagam-se qual posição é a pior.
Ainda pior, é quando se intercalam ouvidas e faladas na mesma medida.
Medidas essas exatas, precisas e justas.
Conversas mecânicas que caminham ao tédio.
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Valetes Marcados
Não, tristeza, hoje não
Já tem alguém deitado sob meu colchão
Já sei que vou ter o sonho arruinado
O coração partido
Todo choro chorado
Não, tristeza, hoje não
Já tenho alguém que preciso perdoar.
Já sei que vou ter que repetir
Vou ter que morrer de rir
Sem deixar ele notar
Não, tristeza, hoje não
Só um de nós você pode laçar
Só um peito que você há de morar
Só um emaranhado que há de pentear
Não, tristeza, hoje não
Tua fumaça não é bem-vinda
No meu respirar
Sua solidão não há de se alastrar
Tal qual nosso seixo não hei de afundar
Não, tristeza, hoje não
Deixe quieto meu baralho
De valetes marcados
Sim, meu amor, sempre sim
Eterno namorado
Mesmo em dias nublados.