Olha, a nuvem preta no céu
Esgueirando os olhares do chão
Chuva que começa a cair
Limpando o ar do sertão
Da poeira chutada por pés
Vem, vem ver o gado beber
Deixa crescer plantação
Deixa sorrir o barão
Que deixa beber os malês
De águas que rolam no chão
De nuvens que pairam no céu
Rolam em contramão
Desmanchando papéis
Eis, o tropel do povo outra vez
Que põe peneiras ao sol
Quem sacrificou alazão
Agora persegue a maré
Chora, enxada que espera de pé
Encostada naquela estação
De um dono que partiu
Sem levar seu coração
Tag: Poema Autoral
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Tropel
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Culpa
O clarão, o som,
Dar-se conta de que respira o refrescar da manhã.
Manhã umedecida pela chuva da madrugada.
O frescor que se confunde ao mentol.
Enquanto as motos roncam e os carros buzinam,
Os ovos fritam.
E dou-me conta de toda a minha sorte.
Todo perdão e amor,
Todo esquecimento.
Não é incrível?
Ser tão ruim e maldoso
E ainda assim desfrutar das manhãs mais belas,
Dia a dia, impunemente.
Comendo ovos, bebendo café,
Como sempre aconteceu e há de acontecer.
Por ofício ou por esporte,
O sol segue a subir e a manhã a se findar.