Como um ladrão ou malfeitor
Me esquivo da escura civilização.
Sempre procurando uma autoridade, com medo.
Mas evitando despertar-lhe quaisquer suspeitas
E no terminal sigo a alimentar o orelhão
Faminto de todas minhas moedas.
Os mascates vêm me incomodar: vagabundos ambulantes
Paradoxos. Trabalhando na madrugada por qualquer trocado.
A conversa demora vir
As notícias de Farinópolis terão de esperar até a próxima estação.
Ao menos compartilhamos a saudade e o céu.
Céu estrelado aqui e lá. Mas aqui, seu cintilar se machuca com o clarão dos postes.
Iluminando o asfalto às custas dos céus.
Agora, aguardo meu próximo ônibus.
Cruzo estados em busca do mar.
Tag: Cotidiano
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Rodoviária
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Admiração
A admiração se repousa rotineiramente sob minhas roupas.
Sempre, sob minhas roupas.
Tal que meu corpo, ainda virgem de seu toque
Se transborda de esperança.
Esperança que isto ainda há de mudar.
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Café Solitário
Aos amargurados, um brinde.
Um brinde à derrota do sono
Ao nascer do sol
E aos pensamentos pensados nas horas escuras
Um brinde ao adormecer adiado
Um brinde ao poder maior
Um brinde ao café
Um brinde à água fervida
Aos sonhos selados que se manifestam em palavras.
Aos sonhos dormidos da padaria
Aos meus sonhos coados em poesia
E ao café solitário
Que amarga meu paladar.