Rodoviária

Como um ladrão ou malfeitor
Me esquivo da escura civilização.
Sempre procurando uma autoridade, com medo.
Mas evitando despertar-lhe quaisquer suspeitas
E no terminal sigo a alimentar o orelhão
Faminto de todas minhas moedas.
Os mascates vêm me incomodar: vagabundos ambulantes
Paradoxos. Trabalhando na madrugada por qualquer trocado.
A conversa demora vir
As notícias de Farinópolis terão de esperar até a próxima estação.
Ao menos compartilhamos a saudade e o céu.
Céu estrelado aqui e lá. Mas aqui, seu cintilar se machuca com o clarão dos postes.
Iluminando o asfalto às custas dos céus.
Agora, aguardo meu próximo ônibus.
Cruzo estados em busca do mar.

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