Para onde quer que eu olhe
Sempre tem um militar
Me protege com suas medalhas
E me persegue em alto mar
E quando volto à minha praia
Nem dá tempo de me secar
Ele confisca as minhas tralhas
E avisa que eu vou me afogar
Mar
Marinha
Praia, medalha
Força que não é minha
Só dá moleque de tocaia
Esperando eles passar
É o funk, é o estorvo que se espalha
É o crime à beira-mar
Para onde quer que ele olhe
Certo vai incomodar
O bedel que põe medalha
Medalha no peito do militar
Mar
Marinha
Praia, medalha
Força que não é minha
Tag: Autoral
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Admiração
A admiração se repousa rotineiramente sob minhas roupas.
Sempre, sob minhas roupas.
Tal que meu corpo, ainda virgem de seu toque
Se transborda de esperança.
Esperança que isto ainda há de mudar.
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Réus Primários
Contaminando os quatro ventos
Sagrados
E limpos
Adentrando os continentes
Seus entes
Queridos
Fazer-se o fim do seu direito
O seu sustento
O seu quinhão
Teu ganha pão.
Se enraizando nos cenários
Ternários
Aflitos
Enchendo os seus óleos
Os olhos
Caídos
Invadindo o teu porco
O teu roço
O teu feijão
Teu ganha pão.
Roncando nos seus céus
Sem réus
Primários
Entrando em teu seio
Teu leite
Erário
Estragando sua gente
A sua mente
A tua visão
Teu ganha pão.
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Café Solitário
Aos amargurados, um brinde.
Um brinde à derrota do sono
Ao nascer do sol
E aos pensamentos pensados nas horas escuras
Um brinde ao adormecer adiado
Um brinde ao poder maior
Um brinde ao café
Um brinde à água fervida
Aos sonhos selados que se manifestam em palavras.
Aos sonhos dormidos da padaria
Aos meus sonhos coados em poesia
E ao café solitário
Que amarga meu paladar.
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Valetes Marcados
Não, tristeza, hoje não
Já tem alguém deitado sob meu colchão
Já sei que vou ter o sonho arruinado
O coração partido
Todo choro chorado
Não, tristeza, hoje não
Já tenho alguém que preciso perdoar.
Já sei que vou ter que repetir
Vou ter que morrer de rir
Sem deixar ele notar
Não, tristeza, hoje não
Só um de nós você pode laçar
Só um peito que você há de morar
Só um emaranhado que há de pentear
Não, tristeza, hoje não
Tua fumaça não é bem-vinda
No meu respirar
Sua solidão não há de se alastrar
Tal qual nosso seixo não hei de afundar
Não, tristeza, hoje não
Deixe quieto meu baralho
De valetes marcados
Sim, meu amor, sempre sim
Eterno namorado
Mesmo em dias nublados.